segunda-feira, 27 de junho de 2016

Foliões já foram gametas

Foliões já foram gametas
PDF 670


13506990_904318073011115_4738645705772837943_n.jpg



Um grupo de foliões, distantes de seus tempos de gametas, participantes de redes sociais diversas, passaram o dia em uma granja, onde não haviam ovos ou galinhas, lá para as bandas da Zona Norte, do outro lado da ponte, nova ou velha, as margens de um regato potiguar. Tinha rede de fofocas, rede de poetas, rede de instrumentistas e redes de cantores. Todos faziam parte de uma grande rede cultural. Tinha até contadoras de histórias, com madrinhas e sobrinhas. Não tinha rede de intrigas.

Enquanto a TV mostrava a banda potiguar ‘Plutão já foi Planeta’, personagens do Satélite, da Floresta e de outros lugares do Universo, formavam uma Quadrilha improvisada no Araiá de Matias e de Diná. E até a natureza participou da dança quadrilha no momento da animação, quando o dirigente, animador e marcador da quadrilha falava “olha a chuva…” E a chuva fina persistia. O marcador estava proibido de falar em uma bandeira, a bandeira da cultura, e levou a animação sem dar bandeira. A cultura era por imersão.

Saberes e sabores estiveram presentes, tal como todo lugar onde é disseminado o conhecimento. Onde há sabores a serem provados há conhecimentos novos a serem conhecidos e adquiridos. Tinha comida tipica e regional, do local,  e de outros lugares do Brasil. E os temperos surgem para um argumento de criar uma conversa, quem gosta e quem não gosta, demostrando os gostos e as diferenças. Tal como os que adoram coentro e outros que detestam, preferindo a salsa, na comida ou na pista de dança. Uns preferem coisas quentes, mas los outros la preferem caliente.

A festa começou na cozinha, o local do receptivo, para as comitivas que chegavam e dirigiu-se para a capela. Uns tangiam os outros até a escada da capela. Na capela não tinha padre, mas tinha contadora, que contou historias e passou um sermão, sobres contos mal contados, que perpetuam na história, nem havia necessidade de padre. A madre das histórias distribuiu docinhos da sorte, pois não havia hóstia. O casamento aconteceria mais tarde, a noiva ainda não estava arrumada, pois vinha do interior do estado. E ainda também não havia chegado o pai da nova, armado de rabeca e de facão. Foi contada algumas das histórias na igrejinha, sobre São Francisco, o de Assis, o de Pádua e o de São João, santo elegido e pintado em uma grande tela, em uma das paredes do altar da capela.

Depois da capela, tal como toda reunião formalizada e realizada em uma igreja, a festa e seus convidados seguiram para área de lazer, como a comemoração de um ato, a comemoração de um fato. A confraternização de todos que estavam presentes. Era o principal objetivo do encontro, do evento.

E o conhecimento continuou a ser difundido, tal como o preceito bíblico. Crescei e multiplicai, que um dia já foi entendido como o numero de seres humanos, mas hoje refere-se a crescer e multiplicar o conhecimento, repartindo com todos, tal como o alimento. O peixe e o pão, o conhecimento, pescado, amassado e sovado. Com o ato de amassar e sovar a massa, modificamos o conhecimento, misturando ideias e o fazendo crescer, dobrar o volume. O conhecimento é mais facilmente compartilhado ao redor de uma mesa, de professores ou refeição. E professoras ali não faltavam. Tinha até uma tipica arengueira, sempre procurando organizar uma fila, e zangando com que não esta sentado.

Chapeuzinho Vermelho chegou com uma cestinha contendo camarões coletados no caminho, nas margens do rio Pium. Outras encontraram um frango atropelado e assado no meio da estrada. O cuscuz paulista chegou escoltado pela Pancari, como carga perecível e perigosa. Teve ostentação com oferta de feijoada. Paçoca, munguzá doce ou salgado e escondidinho. No meio de uma mata sobre um prato de alface, e outras folhagens diversas,  Chapeuzinho perdeu seu garfo, ela ainda se confunde na floresta.

Com improviso da pescaria, trocou-se varas por pau e gravetos. Com iscas diversas conseguiu-se alguma pesca, de livros e conhecimentos. Até uma parceira, para a dança da quadrilha, foi pescada. Mordeu o anzol e caiu na isca. E como toda festa junina não falta uma rifa, ela também aconteceu, com uma cesta de alimentos típicos. Nem precisou a ratinha furar as embalagens, para achar milho e fubá, ela ganhou a rifa da cesta de alimentos. A arrecadação foi em prol da APAFIS. Era só dois real de cada matuto.

A mesa era farta e a casa era santa. Todos estavam convidados a provar tudo que estivesse sobre a mesa. Apenas os frutos no meio do jardim não estavam permitidos. E caso houvesse uma prova, de um fruto proibido, o deus local expulsaria o casal daquele paraíso. Buscar outras terras, atras de melhores dias.

Texto em:



Rn, 27/06/16      
por ​  ​ Roberto Cardoso (Maracajá)      
Colunista em  Informática em Revista
Colaborador de jornais e revistas    
Branded Content (produtor de conteúdo)    
Reiki Master & Karuna Reiki Master    
Jornalista Científico FAPERN/UFRN/CNPq    
Plataforma Lattes   http://lattes.cnpq.br/8719259304706553   

domingo, 19 de junho de 2016

Do fogo no chão à churrascaria



costela%20fogo%20de%20chão.jpg
churrascaria-da-fazenda.jpg

Do fogo no chão à churrascaria
Um olhar arquétipo

PDF 662



Nos parece que esta história de passar em supermercado, como uma simples parada para comprar um frango assado, tem a ver com os antepassados. Antepassados que saiam para uma caça, quando previam a chegada da fome. Caçavam, pescavam, abatiam um animal, preparavam o fogo com os gravetos que encontravam. Tudo podia ser resolvido ali no mesmo local onde conseguiram a caça. Talvez saíssem para fazer coletas de frutos silvestres ou investigar um território, a caça estava disponível e presente. Lembremos das Entradas e Bandeiras, era preciso conseguir alimentos pelos caminhos. Nas Forças Armadas, ainda há cursos de sobrevivência em selva.

Nos rios com suas águas, os antigos, os caçadores e os desbravadores, matavam a sede, que agora chega nas cidades por tubulações ou garrafas. Há inclusive águas com sabor e as gaseificadas. A customização da água, o ato de agregar valor a um liquido inodoro, incolor e sem sabor.

Comprar um frango assado na rua, é como sair para caçar e voltar com uma ave abatida. Na pressa da volta para casa, ou em uma situação emergencial a refeição é resolvida com um simples frango assado, que pode vir acompanhado de farofa e outras guarnições. E a evolução dos tempos já permitem levar agora, a ave assada para a casa, que antes era uma caverna, barraca ou um abrigo. Tem gente que até compra frango na churrasqueira montada na esquina. A parte da caça e do preparo, foi terceirizada. Já foi terceirizada a muito tempo, e depois é que o conceito entrou na economia e no empreendedorismo. É preciso primeiro alguém observar os fatos e  teorizar, para torna-se comportamento e conhecimento. As universidades se apropriam de um conhecimento, depois de observações e pesquisas.

O churrasco foi estilizado e etilizado, primeiro fazia-se um fogo no chão para assar a caça ou um animal abatido. Alguns locais do sul do Brasil ainda preserva-se o churrasco com o fogo feito no chão, com mantas de carne, as vezes a metade de animais, fixadas em espetos em volta do braseiro, ou cercadas por um braseiro. Talvez fosse o farnel oferecido aos que trabalharam um dia em uma fazenda. Bem antes no tempo, o que era comida de caçador, comida de povos errantes, ou comida de andarilho; comida de agricultores ou comida de vaqueiros, tornou-se churrasco, e passou agora a  ser comida gourmet.

Nas cidades existem as churrasqueiras e churrascarias, oferecendo tipos e cortes diferentes de carnes, com acompanhamentos diversos, regados e acompanhados com uma diversidade de líquidos. As famílias das cidades, reunidas em uma casa, ainda se reúnem em volta da churrasqueira, tal como uma festa em volta da fogueira, lembrando os antigos.

Até o local da churrasqueira foi elitizado e estilizado recebendo o nome de espaço gourmet. Um local onde além do churrasco, pode ser improvisada uma lagoa, com nome de piscina. Curiosamente o nome piscina, deriva da palavra de mesma origem da palavra peixe. Portanto o nome mais correto, não seria piscina, mas sim tanque.
...
Parecem mesmo os arquétipos do homem primitivo


Do fogo no chão à churrascaria
PDF 662


RN, 19/06/16
por Roberto Cardoso (Maracajá)
Colunista em  Informática em Revista
Branded Content (produtor de conteúdo)
Reiki Master & Karuna Reiki Master
Jornalista Científico FAPERN/UFRN/CNPq

Plataforma Lattes
http://lattes.cnpq.br/8719259304706553

Produção Cultural e Intelectual
http://robertocardoso.blogspot.com.br/  
http://blogdomaracaja.tumblr.com/
https://www.tumblr.com/blog/resenhasdomaracaja       
http://www.publikador.com/author/maracaja/  http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=173422  http://www.publikador.com/author/rcardoso277/  http://www.informaticaemrevista.com.br/  
http://issuu.com/robertocardoso73  http://jornaldehoje.com.br/search/roberto+cardoso  http://www.substantivoplural.com.br/?s=Roberto+cardoso  https://docs.com/roberto-cardoso  http://www.youscribe.com/rcardoso277/